Nossos iguais na Televisão

A tapa social que esperamos há anos, finalmente veio em 2022.

O ano de 2022 chegou nos trazendo boas novas: Fernando Fernandes, atleta paralímpico brasileiro, será o novo apresentador do “No Limite”, o primeiro reality brasileiro da história e Linn da Quebrada, multiartista e travesti é uma das participantes da nova temporada do “Big Brother Brasil”, o programa de maior audiência do país.

A repercussão positiva que essas notícias tiveram na internet é um acalento, é uma conquista de uma luta diária em prol de respeito, reconhecimento e oportunidades para podermos ocupar todos os cantos e mídias da sociedade em lugar de destaque.

Somos protagonistas, donos da história que queremos escrever no mundo e não como vítimas ou chacotas dentro de um quadro de comédia de algum programa de péssimo gosto.

Não vamos parar!

Nem tudo são flores

A presença da Linn no bbb além de ser uma tapa social, abre discussões importantíssimas aqui fora, como o que é ser uma travesti, qual pronome utilizar entre diversas outras, na primeira semana de estadia da artista presenciamos uma série de comportamentos e atitudes desconfortáveis pelos outros participantes.

Houve vários episódios com a Bruna, esposa da cantora Ludmilla, onde um confinando insistia em transformar a relação de casamento em uma amizade entre duas amigas e constantemente dar em cima da bailarina mesmo ela já ter demonstrado que não tem interesse nele e é uma pessoa comprometida.

O que representa o retrato do brasileiro comum, tradicional e conservador, o qual mesmo tendo informações ao seu redor e ainda assim prefere subverter a realidade e desenhá-la conforme a sua percepção preconceituosa.

Infelizmente, ainda é comum utilizar o pronome incorreto quando falamos com uma pessoa trans/travesti, sendo que na dúvida sempre se trata pelo feminino.

Em um determinado momento do jogo o apresentador, Tadeu Schmdit, precisou intervim e chamar atenção do elenco e passar a palavra para a Lina para ela poder, mais uma vez, explicar e deixar bem claro que deve ser tratada por pronomes femininos.

Na situação, a sister ainda explicou o motivo de tatuado “Ela” na testa, todavia, não foi suficiente para que alguns participantes continuassem errando e se dirigindo no masculino ao falar com a artista.

Claro que entendemos haver uma curva de aprendizado, mas será que tu convivendo 24 horas com as mesmas pessoas já não seria um tempo considerável para entender algo tão simples? Saber respeitar quem tá ao teu lado é tão difícil assim?

Na edição passada, a pauta racial e machista foi bem presente, e a Camilla de Lucas desabafa o quanto é cansativo ter que explicar constantemente o que é racismo, mostrar que não é apenas um comentário, mas sim anular e desrespeitar a sua origem, a sua história e ancestralidade.

Até porque cabe a cada um aprender e melhorar como cidadão.

Ter a primeira travesti em um programa tão famoso é abrir portas para ser naturalizado a entrada de pessoas com hiv, com deficiência, de qualquer religião e o dialogo sobre tabus seja melhor inserido na televisão aberta.

E que um futuro não distante tais vitorias não sejam mais marcos históricos para nossa luta de classes, mas sim, algo completamente natural.

Em abril, essa conversa continuará com a estreia da nova temporada do “No Limite”, e for mostrado que um corpo com alguma deficiência é capaz, ele pode e consegue dentro de suas limitações e que jamais deve ser visto diferentemente.

Realmente espero que estejamos entrando em uma nova era que possamos cada vez mais nos reconhecer em todas as plataformas e redes sociais, constatar os nossos iguais e sentir um imenso orgulho por isso.

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