Precisamos falar sobre HIV

A pauta sobre HIV tem que ser conversada o ano inteiro

O último mês do ano é marcado pela campanha de conscientização e prevenção ao HIV/AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis, a qual é instituída pela Lei 13.504/2017, e é promovida palestras, eventos e atividades educativas durante o Dezembro Vermelho, como é denominada a ação.

Todavia, é necessário muito mais, infelizmente a educação sexual em nosso país é quase nula, e ainda é considerada um tema que não se fala na mesa da cozinha, nas escolas ou em ambientes corporativos, praticamente um assunto proibido.

Um grande exemplo dessa precariedade é muita gente acreditar que HIV e AIDS são a mesma coisa, e não são, a HIV é o vírus de imunodeficiência humana, tornando a pessoa soropositiva que se não fizer o devido tratamento vai contrair a AIDS, em si.

É importante ressaltar que além das práticas sexuais sem proteção, a HIV pode ser transmitida via compartilhamento de seringas contaminadas e de mãe para filho durante a gravidez e amamentação, quando não tomadas as devidas medidas de prevenção.

Minha descoberta

Minha jornada como soropositivo

Era novembro de 2013, após uma bateria de exames para descobrir o motivo de uma fissura na coxa sarar que fui diagnosticado como soropositivo, quando cheguei no laboratório para pegar meus exames e fui levado para uma salinha com a enfermeira e o psicólogo, o meu mundo caiu, só pensava que a minha vida tinha acabado, mesmo eu tendo todas informações possíveis do tratamento., ninguém tá preparado para ouvir esse diagnóstico até pela sociedade preconceituosa que vivemos, tinha acabado de entregar meu TCC e só pensava que meu ciclo acadêmico tinha terminado e agora precisava iniciar minha carreira.

Após esse primeiro baque, comecei a me consultar com infectologista e iniciar meu tratamento com antirretroviral que é o medicamento utilizado para o tratar infecções por retrovírus, especialmente o Vírus da Imunodeficiência Humana, HIV, o qual tem como objetivo impedir a multiplicação do vírus do organismo e evitar o enfraquecimento do sistema imunológico.

Depois do quarto mês que iniciei meu tratamento já estava com a carga viral indetectável, ou seja, o vírus deixa de ser transmitido em relações sexuais.

No começo foi bem complicado, pois só eu e meu namorado da época sabia da minha condição, só tive coragem de contar para amigos, família e o mundo em 2019 e foi importante demais desabafar, e ver o apoio de tanta gente e também ajudar outras pessoas que passavam pelo mesmo que eu e não tinham com quem conversar, com quem tirar suas dúvidas e serem incentivadas a fazer os exames e iniciar o seu tratamento.

É muito gratificante sentir que ao contar a minha história posso auxiliar uma outra pessoa.

Ainda temos muito para trilhar

É necessário se descontruir

Apesar dos 40 anos de história de descobertas e evolução de tratamento de HIV e de 25 dos antirretrovirais serem distribuídos pelo SUS, ainda temos muito para lutar, pois com a pandemia muitas pessoas deixaram de ir nos CTA’s (Centro de Testagem e Acolhimento) e pararam de pegar os seus medicamentos, o que levantou uma grande alerta.

Além disso, o preconceito ainda é um dos maiores empecilhos na luta contra HIV/AIDS, precisamos levar esses assuntos para todas rodas de conversa, normalizar esse debate, ensinar desde cedo para crianças e jovens a importância da prevenção.

Vou deixar uma lista de material de apoio, documentário, e criadores de conteúdo que entenderam que falar sobre é a melhor forma de combater conceitos ultrapassados e disseminar a informação:

Carta para além dos muros, documentário de 2019, narra a evolução do vírus no Brasil e mostra o estigma imposto de quem é soropositivo.

Deu Positivo, série documental da MTV, aborda a vivência de várias pessoas soropositivas.

Gabriel Comicholi, Lucas Raniel, Gabriel Estrela falam abertamente sobre sua sorologia e dão dicas para seus inscritos em seus canais no Youtube.

Para finalizar, a Anvisa aprovou um novo tratamento para HIV, tal medicamento é a combinação das substâncias  lamivudina e dolutegravir sódico, o que representa uma grande avanço por diminuir a quantidade de HIV no organismo, mantendo-a em um nível baixo. E promove aumento na contagem das células CD4, tipo de glóbulo branco do sangue que exerce papel importante na manutenção de um sistema imune (de defesa) saudável, ajudando a combater as infecções.

Quem sabe em um futuro próximo tenhamos uma vacina e uma cura também.

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