Rebranding: Ressignifique o seu valor

O que o Chucky pode nos ensinar sobre a arte de ressignificar a percepção do público em relação a uma marca? Diria que muita coisa, além de ser mostrar a franquia queer de terror mais icônica da nossa cultura pop.

Conceitos

Uma amizade saudável

Antes de tudo precisamos entender o que é Branding para depois analisarmos a necessidade de ter um reposicionamento, o rebranding.

Há diversos conceitos sobre o que seria Branding, a que mais gosto é a gestão de marca, se formos resumir toda sua extensão, tendo em vista que envolve um conjunto de símbolos, nomes, cores, sentimentos envolvendo uma empresa.

Agora que pincelamos o conceito do primeiro termo, é hora de abrir a mente para reposicionamento de marca, que também podemos chamar rebranding, uma estratégia de comunicação e marketing com intuito de mudar a imagem percebida de um produto ou empresa.

Ok, temos quase um texto tradicional de conceitos do marketing e não é a intenção, gosto de analogias, por isso contextualizarei a importância dessa técnica aplicada em um produto, o qual e faz parte do meu acervo de referências: Chucky, boneco assassino.

E te mostrar como ele é um ótimo exemplo que todo nicho pode e deve buscar se reinventar.

Histórico

Para quem conhece a franquia do brinquedo assassino, sabe que a história se baseia sobre um Serial Killer, que em uma fuga da polícia foi baleado quando buscava refúgio em uma loja de brinquedos, vendo que não teria escapatória realizou um ritual de vodu e transferiu a sua alma para um dos brinquedos mais famosos e vendidos nos anos 80 no enredo do filme, o Good Guy, um boneco simpático, fofo e ruivo, qualquer semelhança não é mera coincidência de eu gostar tanto dele  (risos).

O Charles Lee Ray, ou como gosta de ser chamado pelos seus amigos, Chucky, sempre foi um personagem sombrio que parecia não se importar com ninguém, um assassino cruel bem característico do subgênero de terror slasher, todavia com o decorrer do tempo e os novos filmes que foram lançados depois da trilogia clássica, percebemos que o espírito dentro do boneco estava mudando, desabrochando para uma nova era, o que fez algumas pessoas acreditarem que tinha saído de suas raízes e se tornando uma produção de comédia com toques de terror.

Em “Seed of Chucky”, ou como foi traduzido aqui no Brasil, “O filho de Chucky” (2004), fomos apresentados a um tema ainda pouco abordado nos cinemas, especialmente por Hollywood no começo daquela década e ainda mais no gênero de terror, a discussão sobre não-binariedade. 

Conhecemos Glen/Glenda filhe de Chucky e Tiffany que durante o filme explora a sua identidade de gênero, percebendo que não precisa escolher em ser homem ou mulher, ditos como os únicos gêneros existentes. Dessa forma, se entendendo como uma pessoa de gênero-fluído.

Nesse momento, temos um marco na construção do legado da franquia, e a plantação de uma semente que geraria pelos frutos que estamos colhendo agora.

A escolha de abordar no mainstream cinematográfico um tema quase exclusivo do mundo acadêmico que fugia de todos padrões aceitáveis da época para produções desse subgênero foi apostar na originalidade e na ousadia, características já marcantes do personagem.  

Tal enredo desagradou desde do roteiro muita, gente, inclusive a Universal Studios que optou por renunciar a seus direitos sobre o longa-metragem, lançado assim pela Rogue Pictures e alguns fãs extremamente machistas desaprovam totalmente esse filme por ser considerado “muito gay”. 

Ah, finalmente os refrescos!

O começo da Nova Era

Chegamos em 2021, agora com a série de televisão “Chucky” que é ligada totalmente aos acontecimentos dos setes filmes da franquia, ignorando totalmente aquele reboot horroroso de 2019, graças aos deuses dos grandes clássicos.

O seriado tem como enredo principal o bullying que as crianças LGBTQIAP+ sofrem, novamente um tema pouco abordado nas produções cinematográficas e televisivas, porém dessa vez um assunto muito atual, o qual precisa ser normalizado e mais debatido, principalmente no ambiente escolar e familiar.

Jake um dos protagonistas, é um menino gay de 14 anos, vítima de bullying por seus colegas de escola e sofre agressões psicológicas e agressivas pelo seu pai que não aceita sua sexualidade, o qual vai ser protegido por Chucky caçando todos personagens preconceituosos da trama.

Em uma provável conversa do brinquedo com seu protegido, ele informa da existência do seu filho queer gênero fluído, o qual não tem nenhum problema com isso, pois ele não é um monstro, embora isso seja bem questionável.

A importância de toda essa mudança com o personagem Chucky foi pensada estrategicamente contemplando suas origens agradando os fãs mais nostálgicos, como eu, tal como olhando para uma futura audiência que busca representatividade em todos os meios.

Logo, acredito que se a franquia de filmes Chucky não tivesse passado por um rebranding desde da sua estreia em 1988, provavelmente teria sido ignorada pelo mercado audiovisual há muito tempo e rejeitada pelo público.

ATENÇÃO

E não, não estou fazendo apologia ao crime, muito menos tentar deixar implícito que é justificável matar pessoas preconceituosas, apenas estou elaborando uma analogia a uma franquia de filme que gosto muito e sempre fez parte da minha vida e agora mais que nunca se conectando com a minha criança interior.

Wanna Play?

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