Somos Usuários ou Dependentes?

Qual a verdadeira relação que temos com a internet?

O que a indústria da tecnologia e o império das drogas ilícitas têm em comum? 

Ambos chamam seus clientes de “usuários”, e não podemos acreditar que é uma mera coincidência de nomenclatura.

Não é de hoje que percebemos  uma verdadeira dependência emocional com a internet e seus meios de comunicação. Já comentei no post sobre redes sociais que não existem mais, que desde dos primórdios da web e suas plataformas e comunidades digitais já demonstrávamos indícios de possível “vício”.

A verdade é que as mídias sociais estão se configurando para nos viciar, com doses diárias de pura dopamina e ao ficamos distante por algumas horas já sentimos os efeitos da abstinência. No campo da comunicação somos ensinados a utilizar todos os gatilhos mentais possíveis para atrair o usuário e fazer ele ficar horas nas redes sociais completamente dependente entrando um loop infinito.
O famigerado “like”, “curtiu” e/ou qualquer outra nomenclatura dada para o selo de aprovação digital é dopamina, quantos mais recebemos, mais queremos, é praticamente um um ciclo vicioso.

O Brasil é um exemplo vivo que “ama” estar conectado, de acordo com uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, há mais smartphones ativos que habitantes brasileiro. E é líder no uso de mobile em países emergentes, dado divulgado pela Pew Research Center.

Vai uma dose?

Só mais cinco minutinhos

Não é exagero dizer que o nosso smartphone é a nossa droga preferida, claro que é necessário desconstruirmos a ideia padrão de consumir substâncias tóxicas, ou seja, por via oral, nasal ou injetável. Há diversas formas de se tornar um Viciado Digital.

Black Mirror, como uma das séries mais inteligentes, criativas, apocalípticas e críticas do comportamento humano já nos mostrou diversas vezes, o quanto podemos estar doentes por sermos vítimas de um sistema em prol de consumo desenfreado que utiliza a tecnologia como sua principal arma.

Um dos episódios mais emblemáticos da série, Nosedive, retrata justamente a relação de uma sociedade com o mundo fictício criado e retroalimentando nas redes sociais, o qual toda a estrutura sócio econômica  se baseia em um ranking de popularidade de cada indivíduo, desde seu cargo, moradia e até a compra de uma passagem de avião vai depender exclusivamente dessa classificação social. 

A trama em si é bem incrivelmente desconfortável, pois acompanhamos a saga de Lacie em escalar seus status em sua comunidade e entra em uma ladeira psicótica de aprovação.

Quando tu termina esse episódio ou qualquer outro da série, tu começas a refletir sobre tuas ações, sobre tuas referências de vida, sobre quem tu és ou o personagem que podes estar alimentando e compartilhando na internet.

É um exercício doloroso e necessário de autoconhecimento.

Trailer do episódio

Vamos aos dados?

Posso te contar uma fofoca?

Os documentários: The Great Hack e The Social Dilemma são duas produções que mostram de maneira bem significativa a manipulação de dados no mundo digital,  como grandes corporações faturam exorbitantemente por tais informações, e nos viciar em internet é um negócio muito lucrativo.

No primeiro documentário sentimos aquela premissa de que ter informação é ter poder, que provavelmente em poucos anos uma guerra silenciosa de quem a mais possui terá soberania sobre o mundo. Se um mesmo grupo de empresas domina grande parte de aplicativos, redes sociais e plataformas digitais, o quanto de conhecimento ela possui sobre uma cidade, um grupo de pessoas ou até mesmo sobre um próprio indivíduo.

Por mais que aqui no Brasil, tenhamos a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais) e os usuários de IOS após a atualização de número 14 tem  a opção de não compartilhar dados de rastreamento de ações dentro de sites e aplicativos, sabemos que grande parte da população não usam iphone e os mesmos que usam apenas ignoram esse recurso, e mesmo que com todos essas tentativas de proteção a mínima suspeita de não termos controle sobre os nossos rastros digitais é perturbadora.

Já na segunda produção é mais nítido como o nosso relacionamento com a internet beira a um relação de codependência emocional e suas consequências em nossas vidas, nos tornando quase marionetes nos permitindo a moldar o nosso comportamento, pensamentos e até tomada de decisões, uma vez que todas as nossas informações foram colocadas na rede de forma proposital ou não, e esse arsenal de dados serão e são usados para nos controlar.

Se antes no imaginário existia pacto de sangue, hoje existe os pactos de atenção! Tudo isso para que os três principais objetivos das indústrias de tecnologias sejam atingidas:

  • Engajamento: Responsável pelo aumento de uso e retenção de audiência
  • Growth: Crescimento de uma plataforma
  • Receita: Como toda empresa o lucro é um objetivo que precisa ser alcançado, nesse caso é garantir que os anúncios estejam gerando o máximo de receita possível.

Tudo controlado pelos famosos algoritmos que sempre lemos e ouvimos que são os vilões pelo não crescimento de uma marca no digital, sendo que eles tem outros propósitos do que “atrapalhar” o alcance um creator.

O que podemos esperar do futuro?

Busquem conhecimento!

Antes de pensarmos no amanhã é necessário fazer uma analise do lado positivo que a internet proporciona desde da sua existência, como por exemplo, eu sou home officer, trabalho e estudo de casa, tenho um site, o qual posso compartilhar todos meus pensamentos, minhas reflexões e encontrar pessoas que tenham os mesmos interesses que meu e nada disso seria possível se não tivesse acesso a web e desfrutar dos seus privilégios, dessa forma não posso ser hipócrita e apenas falar dos seus pontos negativos, na verdade esse texto serve também como um lembrete para mim, para que tente me deslogar, vá ler meus inúmeros livros, voltar a me aproximar das pessoas de uma forma menos vazia e mais real, em outras palavras, que lembre de viver!

Agora sobre o futuro, cabe a cada um de nós perceber os malefícios dessa rotina tóxica e escolher um caminho de purificação digital, vejo no Slow Living uma alternativa promissora em vivermos devagar, sem sentir a pressão de estar conectado o dia inteiro com receio de perder algum acontecimento, apenas curtindo uma vida leve e simples, aproveitando cada momento.

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