Descobri meu dom aos 29 anos

Todos temos um dom e no momento certo ele floresce.

Por muito tempo acreditei que tinha nascido sem nenhum talento ou dom, vivia me comparando com pessoas totalmente adversas e fora da minha realidade, ainda mais quando tu se olha no espelho com 16 anos e percebe que precisa escolher o teu futuro e que não podes errar nessa escolha, pelo menos era dessa forma que me fizeram acreditar e eu aceitei dolorosamente sem questionar essa sentença.

Entrei na faculdade de Comunicação Social habilitação em Multimídia, me formei e lá estava com um diploma na mão, sem perspectiva e totalmente desesperado o que me fez entrar no mercado de trabalho em um dos empregos mais sugadores de alma e sanidade mental: Operador de Telemarketing!


Nossa, como eu odiava trabalhar em Call Center, parece que o tempo passava de uma forma diferente, os teus sonhos se perdiam e tu se sentia acorrentado em uma função da qual nunca quis exercer, conforme os anos se passavam um pensamento me atormentava diariamente e agressivamente: “desperdicei o dinheiro do meu pai em uma faculdade cara nem consegui um emprego na área e o tempo passa e fico para trás”.

Quando finalmente consegui entrar na minha área, trabalhar com comunicação e marketing parecia que o meu propósito tinha acabado, estava feliz, porém ainda confuso, perdido sentindo que faltava algo mais, como se não tivesse devidamente adequado.

Entre trampos, jobs e barrancos, só agora entendi o que faltava, era eu me aceitar, não me cobrar, não acreditar que estava em uma competição, que não precisava constantemente buscar reconhecimento e afirmação por ter entrado tardiamente no meu nicho, estava tudo bem eu ter iniciado com os 25 e ter entendido só aos 29 anos que a minha profissão é muito mais do que se aprende nos livros, com os professores ou os conceitos estereotipados do mercado.

Ser comunicólogo é dar a voz para aquilo que tu acreditas, é se expressar com todas tuas emoções, é levar informação para quem quer e deve escutá-la. A comunicação me salvou de muitos fantasmas e vozes que habitam na minha cabeça, ela me ajudou a sair da minha concha, a dar voz aos meus instintos, anseios e desejos.

Hoje eu sei que consigo juntar todas minhas referências e fazer um bom trabalho, compreendo que pelo mundo tem pessoas como eu que querem se sentir representadas, ouvidas e entendidas.

Se eu posso deixar algum tipo de reflexão é que independentemente da jornada que já trilhaste e ainda sente que o teu caminho precisa ser mudado, mude ele! Tente, repite e faça tudo de novo até sentir que achaste o fluxo que tu precisar seguir, cada um tem o seu tempo, o seu momento, ninguém estar atrasado ou adiantado, cada pessoa tem seu próprio fuso horário, só depois que compreendi o tempo das coisas e engoli um egoísmo besta foi quando tudo fez sentido e entrou nos eixos corretos.

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